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O que é um jogo?

23 de outubro de 2008

Muita gente está por aí a fazer jogos sem ter nunca pensado nesta questão… O que é um jogo?

Vamos estudar por partes, primeiramente digamos que o jogo é para entretenimento, se o jogo não entretem ele deixa de ser um jogo.

Mas aí enfrentamos o primeiro problema: Livros, filmes, piadas, são jogos?

Obviamente que não, portanto chegamos a primeira conclusão, precisamos ser mais especificos…

Mas e jogos que não são entretenimento, existem? Também podemos dizer que não mesmo em casos extremos como uma luta de gladiadores romana, os glariadores as vezes eram forçados a lutar, para eles o jogo não tinha nenhum valor como entretenimento, mas para os espectadores tinha.

Então vamos resolver o problema lá de cima, diferenciar um jogo de livros e filmes…

A diferença entre um jogo e um livro, é que um jogo é interativo!

Aqui surge o primeiro ponto importante de um jogo, um jogo somente é um jogo quando existe um jogador, portanto o que estamos a fazer quando criamos um “jogo”, na verdade estamos criando somente as ferramentas necessárias para que quando um jogador jogue aquilo, finalmente aquilo se torne um jogo, ou seja: o pior erro que uma equipe pode fazer é esquecer-se do jogador, temos como exemplo aqueles jogos horríveis de aventura que tem vídeos gigantescos, aquilo não é um bom jogo, porque o jogador não joga, ele só assiste…

Mas se o jogador puder interagir, mas de qualquer forma? Exemplo, uma pessoa pega uma peça de xadrês e joga pela janela, isso é um jogo? Digamos que de certa forma isso ainda é entretenimento, é interativo, mas não é um jogo, a razão disso não é tão clara para muitas pessoas, o motivo é que não existiu regras, um jogo sem regras não é um jogo.

Mas se uma pessoa por exemplo ficar indefinidamente seguindo certas regras ao manusear carros de plástico? Seria isso um jogo? Novamente vemos que jogo é algo ainda mais complexo, apenas manusear carros de plástico seguindo regras torna o evento uma brincadeira, os carros se tornam então brinquedos, isso se aplica também em programas eletrônicos, SimCity e The Sims tem suas regras, mas não tem um objetivo final, não existe uma forma de ganhar (e praticamente também não tem uma forma de perder), isso os torna também brinquedos.

Então recapitulando: Um jogo tem que entreter alguém (não necessariamente o jogador), o jogo precisa de interatividade (portanto de jogadores) e o jogo precisa de um objetivo.

Agora vamos entrar em terreno pantanoso… O que acontece quando não se tem um adversário, montar um quebra cabeça por exemplo, ou tentar construir uma torre de cartas de baralho o mais alto que puder, é um jogo? Vendo pelo ponto de vista dos exemplos dados, vemos que não é um jogo, mas e o programa Tetris? É nessa hora que vemos que nem sempre o que chamamos de jogo é um jogo, e que as vezes não estamos criando jogos, e sim apenas quebra-cabeças, como é o caso do Tetris, e jogos de aventura em geral.

Muita gente ainda gosta do gênero quebra-cabeça e muitos criadores de jogos criam quebra cabeças, e podemos chama-los de jogos para este fim… Mas isso ainda não nos define o que é jogo!

Então o que faz o Tetris diferir do jogo Banco Imobiliário? Ou do jogo Pedra-Papel-Tesoura? É o fato da existência do adversário, um jogo sem adversário não é um jogo, um jogo com um único jogador portanto não é um jogo, mas e os famosos jogos para único jogador que existem no mercado, como por exemplo o jogo de tiro Doom? Neste jogo existem adversários, eles são os inimigos controlados por computador! Ou seja, um jogo é um jogo quando existem adversários e que seguem as mesmas regras (mesmo que exista regras específicas para cada situação).

Mas ai temos outro fato interessante, o que acontece com os esportes? Como por exemplo natação? Natação é um jogo? Para muita gente é óbvio que natação não é um jogo, então o que faz natação não ser um jogo? É o fato de que na natação apesar de existir vários nadadores, eles não podem interferir entre si, eles todos seguem as mesmas regras, tem o mesmo objetivo, e uma regra em especial torna aquilo em algo que não é um jogo, aquele que cumprir o objetivo primeiro (chegar ao final) sem interferir com os outros é o ganhador… Portanto chega-se a conclusão que natação não é um jogo, e sim uma competição, os competidores seguem regras, atingem objetivos, interagem com o sistema, mas não podem interferir nos outros jogadores. Um exemplo de jogo eletrônico seria as primeiras versões de Tetris multi-jogador (o que na verdade é apenas uma competição de quem resolve um quebra-cabeça primeiro, portanto temos competidores, e não jogadores), ou o jogo Trackmania, onde os jogadores correm uma corrida de carros mas não podem colidir com os outros jogadores, portanto neste caso também os jogadores não são jogadores, mas competidores.

Chega-se a conclusão portanto que jogos são entretenimento interativo que possui regras, condições de vitória e derrota e vários jogadores (mesmo que os outros jogadores sejam artificiais ou mecânicos) que podem interferir entre si, impedindo ou ajudando alguém atingir os objetivos.

O que isso implica para nós criadores de jogos? Primeiro implica que como percebe-se nem sempre nós criamos jogos, as vezes criamos competições e quebra-cabeças, mas isso também implica que sempre temos que tomar cuidado com as elementos comuns entre estes, entretenimento, regras e interatividade, nunca devemos então fazer algo com baixa interatividade, chato ou desregrado.

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7 Comentários leave one →
  1. 1 de novembro de 2008 11:26 pm

    Olá Hélder,

    Como havia discutido com você, sobre a determinação de que um jogo precisa de vários jogadores.
    O professor Alexandre Braga disse que o professor Alexandre Machado fez um artigo em que analisa a “disputa” e separa competição e desafio, sendo que os dois estão dentro da categoria jogo.
    Já o Felipe (magrelo) disse que é somente questão semântica, do tipo: você joga natação ? você compete natação, então não é um jogo.
    Você compete futebol ? você joga futebol, então é um jogo.
    Você joga Tetris ?

    Mas, independente disso, Como o Huizinga disse sobre “algo em jogo”, o círculo mágico é criado pelo jogador e não pelo Designer, e se o jogador criar um desafio (abstrato) que seja superar seu prórpio placar no Tetris, aí está criada a condição de adversário.

    Mas, nós não podemos ter controle dessas partes, apenas gerar ferramentas (com brechas) para que o jogador as utilize de forma diferente da que foi projetada, assim geramos vários perfis de usuários…

    O que acha ?

    Até mais
    Juquitiba

  2. originalspeeder Link Permanente*
    2 de novembro de 2008 4:30 pm

    Oi Eduardo,

    Um jogo sem desafio óbviamente não é um jogo, nem mesmo um quebra-cabeça, mas não creio também que exista um jogo sem competição, e aliás eu sei um motivo pelo qual o Tetris pode ser considerado um jogo (eu ainda não acho que ele é um jogo), é o fato de que o jogador tem que enfrentar o tempo de forma bem direta, conforme a velocidade aumenta a dificuldade aumenta muito, o que faz com que se tenha impressão que é um jogo…

    Agora pensando nisso tem algo interessante: Um quebra cabeça clássico você nunca perde… Talvez um quebra-cabeça onde é possível perder torne-se outra coisa.

    Sim, também creio que quando o jogador usa uma ferramenta para criar seu próprio objetivo ele cria um quebra-cabeça ou qualquer outra coisa dependendo do caso, mas não torna aquilo (o recurso) um jogo (mesmo porque é possível fazer isso com coisas que não são nem brinquedos!)

    Talvez devessemos mudar o nome de nome profissão para projetista de diversões \o/

    Faz mais sentido não?

  3. 23 de fevereiro de 2010 8:48 pm

    o que é jogo sem respostas

  4. shayane Link Permanente
    16 de março de 2011 7:24 pm

    Bem eu fui procurar oque é jogo que minha professora de educação fisica pediu eu naum sei se ela se referiu a jogo de educação fisica ou jogo msmo esse site me ajudou um pouco adorei os exemplos de jogos eu tirei também daqui beijos

  5. Cristiane Sohn Link Permanente
    8 de maio de 2011 5:55 pm

    Estou elaborando um artigo sobre jogos virtuais e psicanálise, e as articulações apresentadas foram bastante interessantes para minha primeira análise: “o que é um jogo”?

    Muito bom!!!

  6. 28 de fevereiro de 2012 12:25 am

    Discordo com a frase “primeiramente digamos que o jogo é para entretenimento”. Entretenimento é um termo capitalista que foi criado a partir da segunda guerra mundial, com intuito de preencher o vazio que existia no lazer, enquanto o jogo é muito mais do que isso.
    Como propõe Huizinga no seu livro intitulado “Homo Ludens”, o jogo é uma atividade ludica, onde a importancia da competição não existe, muito menos regras bem elaboradas. O motivo de jogo não se encaixar em entretenimento é justamente esse, como escreve Huzinga, O Jogo pode ter sido criado muito antes da cultura humana, assim sendo um completa atividade ludica e não se encaixando no conceito de “entretenimento”.

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