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Calculando o Preço do Playstation 4

21 de outubro de 2013

Bom, depois da controvérsia da Sony ter anunciado o Playstation 4 por 4000 reais, muito mais caro que o Xbox One (que nos EUA é 100 dólares mais caro), resolvi calcular aqui o quanto a Sony dos EUA recebeu por um PS4.

Calculando o quanto a Sony recebe por um PS4:

Preço cobrado do cliente é 4000 reais.

Destes é preço final (com outros impostos) + 50% de IPI.

Portanto o preço (com os outros impostos) é de 2666 e 1333 é IPI.

Destes 2666 18% é ICMS (em São Paulo), 1.65% é PIS e 7.6% é confins.

Portanto o governo recolhe 479.88 de ICMS, 43.989 de PIS, 202.616 de cofins.

Isso nos sobra 1939.515, isso é o que o lojista recebe de você.

Com esse dinheiro ele vai pagar o videogame para a Sony Brasil, e o Frete, e tirar um lucro.

Se ele tirar uns 5% de lucro (que é o normal por aqui) ele recebe 96.97 reais, portanto 1842.53 paga o frete e a Sony Brasil.

O frete costuma sair uns 50 reais por console, menos caso o cara tenha loja grande e venha bastante por caminhão, muito mais caso ele compre de 1 a 1 da Sony e pague encomenda por correio ou transportadora.

Portanto ele paga 1792.53 para a Sony Brasil.

A Sony Brasil tem seu lucro interno (para pagar as operações aqui no Brasil como distribuidora, site, etc…) e ela tem que pagar o frete do PS4 aqui para o Brasil, e o imposto de importação (que é pago em cima do frete).

Não só isso, a Sony EUA tem que pagar 5% de imposto nos EUA para exportar.

Se a Sony Brasil tirar uns 5% de lucro também, 1702.90 é o que sobra para pagar frete, imposto de importação, e a Sony EUA

O Imposto de Imporação de Pessoa Jurídica para um Console é de 20%, adicionado ao valor final depois do cálculo, igual IPI.

Portanto o governo brasileiro recebe de imposto 283.81 reais de II, e 1419.08 paga a Sony EUA e o Frete.

O frete deve ser uns 100 reais (um cara que vende PS4 para o Brasil no Youtube diz que é isso que as pessoas pagam pelo menos…)

Portanto 1319.08 reais vão para a Sony EUA.

Disso, 5% é imposto para o governo dos EUA, portanto 1253.126 reais é o que a Sony EUA recebe.

Convertendo isso em dólares temos 576 dólares.

Ou seja, a Sony EUA está cobrando 176 dólares a mais do que ela cobra normalmente.

Considerando que o PS4 é vendido com prejuízo, provavelmente nesse caso a Sony EUA está cobrando o preço de custo (sem prejuízo) por causa da pirataria brasileira.

Mesmo assim, o reusltado final é: Sony EUA recebe 1253.12 reais, Sony Brasil recebe 89.62 reais. Transporadoras recebem 150 reais (mas pagam lá seus impostos e tal, não se esqueçam, e combustível, etc…), o lojista recebe 96.97 reais. E o governo recebe 2410.29 reais.

Por acaso 2410.29 / 4000 é 60%

Ou seja, quando a Sony disse que 60% é imposto, ela não mentiu. Ela disse de 60% a 70% como forma de esconder dos concorrentes o quanto ela recebe exatamente (que estimamos ser em torno de 576 dólares)

Portanto a pergunta é: como a Microsoft cobra metade do preço com um console mais caro? Bom, provavelmetne a Microsoft deve estar tendo um prejuízo enorme, em uma tentativa de ganhar mais mercado no Brasil.

Pergunta 2: Qual seria o preço se a Sony EUA recebesse somente 399 dólares como cobra dos clientes lá?

Como 399 dólares é 70% de 576 eu diria que seria 70% de 4000 reais, o que ainda seria os caríssimos 2800 reais (ainda mais que o Xbox aqui…)

Moral da história: Importe diretamente como pessoa física, vocÊ vai pagar 399 + frete (dá uns 550 dólares) + 60% de imposto (em cima dos 550) o que seria uns 880 dólares o que dá 1912 reais.

E sim, o governo brasileiro é estúpido dessa forma, importar como empresa é muito mais caro que importar como pessoa física, ótimo para gerar empregos locais ;)

Corona SDK: Tecnologia de Criação de Jogos em Lua

15 de agosto de 2012

Jardim do jogo aventuras do NonoFaz já um tempo que não falo sobre tecnologias, então resolvi falar do Corona SDK, uma estrutura de programação de jogos em Lua para os dispositivos móveis de gerações mais recentes (smartphones e tablets), como o iPhone, Android, iPad, Kindle Fire e assim por diante. O propósito do Corona SDK é permitir que se desenvolva com facilidade e rapidamente jogos multiplataforma, onde o jogo é projetado e programado apenas uma vez, e funciona sem modificações no iPhone, Android, Kindle, etc…

Talvez a parte mais interessante do Corona, é o uso da linguagem Lua, uma linguagem extremamente flexível e interessante, que permite o uso de várias técnicas de programação não muito ortodoxas (mas permite perfeitamente uma programação bem ortodoxa caso seja o gosto do programador), isso permite a programadores experientes uma velocidade de desenvolvimento alta, e se o código for bem escrito, uma grande facilidade para manutenção do programa.

Caixa de musica da Kidoteca usando Corona SDKAs maiores vantagens do Corona então são:

Facilidade de Uso, graças a uma API no geral muito bem escrita, um manual de boa qualidade, e o uso extensivo da linguagem Lua, facilitando um trabalho multiplataforma.
Multiplataforma, o Corona funciona no Android, iOS, Kindle Fire e Nook, e o simulador também funciona no Windows e no Mac OSX, se você estiver disposto a fazer o usuário instalar o simulador, pode-se fazer aplicativos também para desktop.
Comunidade grande, existe o fórum oficial com inclusive uma seção em português, e um canal de IRC, infelizmente apenas em inglês.
Sólido, o Corona em si raramente da problemas ou bugs.

As maiores desvantagens do Corona são relacionadas a sua natureza proprietária, ele é limitado, sendo que muita coisa não é possível por causa do seu código fonte fechado (parece que nem usuários da versão mais cara deles tem acesso ao código fonte, no máximo tem acesso a uma API diferente que permite misturar o Corona com código nativo), o suporte não é grande coisa (a empresa CoronaLabs é razoávelmente pequena), e não é possível publicar nada com a versão gratuita.

Jogo balança de frutas com CoronaNo site do Corona pode-se ver 4 licensas disponíveis, uma grátis, que é a versão pública mais recente (que eles garantem que tem poucos defeitos) mas que não permite publicar os jogos… Uma versão “indie” onde se tem acesso a versão de desenvolvimento (muitas vezes cheia de defeitos, mas com as tecnologias mais novas), só que apenas para iOS OU Android, e a versão “Pro” que é igual a Indie mas dá acesso a iOS, Android, Kindle Fire e Nook. E finalmente a versão “Enterprise” que permite mais flexibilidade em algumas coisas, essa eu não testei (porque é muito cara).

O Corona foi escolhido (dentre as opções disponíveis então de desenvolvimento multiplataforma em Lua para mobile: Gideros e Moai) pela empresa que co-fundei, a Kidoteca, e estamos usando o Corona no desenvolvimento de nossos projetos, principalmente para iPad, Samsung Galaxy Tab e Kindle Fire.

Se alguém tiver dúvidas sobre o Corona, me mandem e-mail, ou pergunte aqui nos comentários ou no Twitter, e farei o que puder para responder!

Me formei… O que faço agora?

2 de agosto de 2012

A um tempo atrás respondi a pergunta: “qual faculdade fazer?”, algumas das pessoas que leram aquilo hoje devem estar se formando, ou recém formadas… Então encontram um mercado de jogos bagunçado, e não tem a mínima ideia de onde procurar trabalho.

Existem três alternativas, a mais fácil, é conseguir um emprego, depois disso é achar um sócio, e então finalmente abrir uma empresa sozinho.

Vamos falar do mais difícil primeiramente, que apesar de ser o mais difícil, é o sonho de muitos.

Abrir sua própria empresa não é tarefa simples, mesmo que ignore toda a burocracia no Brasil (que é uma das mais complexas do mundo), ainda assim a chance de dar tudo errado é enorme.

Primeiro: Ter sua própria empresa exige ou que você já seja rico, ou que tenha muito, muito, MUITO, MUITO, tempo, disciplina e organização… Por uma questão de todas as coisas a serem feitas.

O primeiro passo para ter uma empresa, é saber o que você vai vender, e como vai vender, não é só pensar: “Ah, vou fazer jogos…” mas é jogo para adultos? crianças? Computador? Console? Celular? Se for celular seria smartphone ou não? E são jogos de ação? Aventura? Vendidos como produtos fechados, na caixa talvez, ou por download, ou seriam até gratuitos e sua empresa vai vender items?

Pensar em tudo isso é crucial, muitas empresas falham porque já começaram errado aqui, se você decidir por exemplo fazer jogos pornográficos para Nintendo DS, já criou um fracasso, se decidir fazer jogos educacionais infantis para Xbox 360… é simplesmente loucura.

E claro, sempre tem quem queira começar por um jogo online massivo… NÃO FAÇA ISSO. SÉRIO. Todo ano várias empresas vão a falência tentando isso, especialmente as que tentam isso no primeiro jogo… Até o Curt Schilling, um jogador de baseball que era milionário agora é um devedor milionário porque gastou no total (dinheiro dele, e de pessoas que confiaram nele) mais de 100 milhões de dólares e ele mesmo já disse em uma entrevista que o jogo estava péssimo.

Depois de decidido o produto, é fazer o produto… Essa parte o blog fala bastante em outros artigos, então não vou dar detalhes.

Então vem a parte de vender o produto… Agora que é a parte difícil, quem faz jogos sozinho, é normal gastar mais tempo vendendo seus produtos, do que fazendo, não só isso, também se usa tempo administrando a empresa em si, fazer jogos sozinho significa passar só 20% do seu tempo desenhando e programando, e usar todo o resto trabalhando com publicidade, vendas, administração… E sua carga de trabalho pode rapidamente passar a carga horária de uma pessoa com um emprego comum, a não ser que como eu já mencionei, você seja muito rico, ai alguma coisas você pode pagar outras pessoas para fazerem no seu lugar.

Claro que tenho que lembrar aos meus leitores, especialmente os brasileiros, que com o sucesso, se torna necessário ter a empresa 100% legalizada, isso significa contratar advogados e contadores, então mesmo que você saiba fazer um jogo inteiro sozinho, vai precisar de dinheiro para contratar essas pessoas.

Justamente por fazer sozinho ser difícil, que temos então a segunda opção: Ter um sócio.

A primeira coisa a se pensar aqui, é que pelo menos um dos sócios tem que ter dinheiro para sustentar a empresa, nos vários meses iniciais antes das primeiras vendas, todos os sócios ainda tem que comer, pagar conta de luz, água, telefone… E se tiverem um escritório, tem que pagar as contas do escritório…

Achar um sócio com dinheiro, não é fácil, o procedimento seria escrever um documento MUITO bem escrito e detalhado da sua ideia de empresa, um documento realmente convincente, que faça o teu potencial sócio acreditar sinceramente que a empresa possa ter futuro.

Depois de achar um sócio, ou ser achado por um (raro de acontecer… mas acontece), chega a parte de formar a sociedade… Isso é algo delicado, sociedade é algo sério, onde vidas podem ser arruinadas com facilidade por um sócio mal intencionado, é fácil abrir uma empresa, causar gastos astronômicos, pegar montanhas de dinheiro emprestado, e então fugir com o dinheiro e deixar os outros com a conta. Ou por exemplo prometer 20% da empresa depois que o produto ficar pronto, mas nunca deixar claro o quando a empresa vale ou quando ela lucra, então como você cobra 20% de “não sei” ?

Então temos o caminho que não é o mais fácil, é apenas o menos difícil… Achar um emprego.

Não se foque apenas na área de jogos, isso vai limitar muito suas opções, e deixar você a mercê dos empregadores, que vão pagar o que quiserem para você… Estar disposto a ter emprego em outras áreas, vai te garantir um salário mais digno, mesmo que não seja na área de jogos… Conheço pessoas que chegaram a oferecer diferenças de ofertas gritantes, com empresas de jogos querendo pagar apenas um quarto do que empresas de outros ramos estavam dispostas a pagar.

Então procure nos lugares certos o blog gamereporter frequentemente cita ofertas de emprego. Temos também a campanha do twitter, o site da Abragames onde tem uma lista de empresas para qual seria interessante mandar currículo, existem várias outras empresas menores também, e então temos o Catho, um site de emprego que tem poucos empregos de jogos, mas que se você não achar emprego no Catho, é porque não quer trabalhar.

Seja ativo também em listas de discussão dos assuntos que domina, é normal por exemplo ofertas de emprego para programadores na lista de programação para Android, ou ofertas de emprego para artistas em lista de artistas, e assim por diante.

Tenha um currículo organizado, limpo, e sem exageros e mentiras, o empregador vai notar fácil qualquer coisa no seu currículo que não seja a mais pura verdade, e é melhor ser honesto, do que ter um currículo impressionante mas mentiroso, pois no segundo caso até pode ocorrer do seu potencial empregador ficar tão irritado que ele espalha a notícia para outras empresas, te forçando a nunca ter emprego nelas, e se isso te acontecer, é bom ir aprender outra profissão.

E seja você mesmo na entrevista, por mais que digam para você fingir trocentas coisas porque a primeira impressão é a que fica, você não quer ser demitido um mês depois de contratado, isso bagunça sua vida, pega mal para futuros empregadores, e te expõe a uma certa vergonha pública. Se você é fedido, não vá cheio de perfume a não ser que esteja disposto a fazer isso todo dia. Se não usa terno, não vá de terno. Se você é extremamente tímido, não finja ser falante e carismático, para depois na empresa ficar sempre isolado e ridicularizado. Emprego não é só uma questão de dinheiro ou gosto por um trabalho, mas sua personalidade tem que combinar com a cultura da empresa. Um banco não quer contratar um cara “descolado”, assim como uma empresa de jogos infantis não quer contratar um cara mais sério e chato do que uma folha de papel timbrado.

Novo endereço

1 de agosto de 2012

Olá!

O blog está em processo de ser reativado, vou começar a escrever mais ativamente nele, vou atualizar algumas coisas antigas (meu perfil e minhas fotos inclusive) e assim que puder, ele terá uma melhoria visual.

A primeira coisa que fizemos, foi facilitar para vocês acharem o blog, agora podem achar ele nos endereços criadordejogos.com e ocriadordejogos.com em breve será adicionado os endereços .com.br também.

Porque fazer jogos?

30 de julho de 2012

Esse é talvez um artigo mais pessoal… porque escrevo para responder uma pergunta pessoal que já me fizeram algumas vezes, geralmente com um tom de: “Mas se jogos dá menos dinheiro, porque fazer jogos?” ou “Mas se jogos é tão difícil de fazer, porque faz jogos?” ou “Mas se o mercado brasileiro de jogos é tão ruim, porque faz jogos?”

A resposta é simples: Porque quero criar mundos.

Muita gente quer mudar o mundo, mas tem gente que quer criar um mundo, ou vários mundos, quer imaginar um lugar dos sonhos, ou pesadelos, onde as regras são as que nós decidimos, um lugar onde podemos viver felizes, ou onde temos poder…

Criar jogos, é poder realizar seus sonhos, é poder sonhar, e então tornar esse sonho realidade, não só para si mesmo, mas para muitas pessoas… Um jogador não vive só a própria vida, mas vive várias, mesmo jogando um jogo sem roteiro, como xadrês, temos jogadores se imaginando como grandes generais, heróis de guerra, reis, ou como estrategistas maquiavélicos, tem gente que enxerga o tabuleiro apenas como um tabuleiro no qual ele vai derrotar o oponente a sua frente, mas tem pessoas que enxergam um campo de batalha, com flechas escurecendo o céu, bolas flamejantes arremessadas por equipamento de cerco iluminando a noite e explodindo em milhões de pedaços ardentes nas paredes do até então belo castelo inimigo.

Fazer jogos, é imaginar as vezes apenas regras, nas quais é criado um mundo simples, onde o criador do jogo tem controle total, e se diverte com os jogadores, as vezes é imaginar um planeta, com seus povos, cultura e história, para então criar ele inteiro, ou apenas um pedaço, mas de qualquer forma, é criar um mundo.

Não se cria jogos pelo dinheiro, porque com poucas excessões, jogos raramente dão lucro.

Não se cria jogos por fama, glória, poder ou honra…

Se cria jogos, pela paixão de imaginar, pela criatividade em si, e pelo desafio técnico de realizar os seus sonhos em algo mais concreto, mesmo que ainda abstrato…

Emprego no twitter

6 de janeiro de 2011

Olá pessoal!

Vim aqui divulgar uma hashtag de twitter que inventei inspirada em uma internacional, conforme for necessário vou atualizar esse post com dicas e regras.

A hashtag se chama #empregojogos e serve para anunciar vagas, ou anunciar portfólios. Se você procura funcionários, ou vagas, adicione essa hashtag no sistema de busca de seu cliente de twitter.

A hashtag #gamejobs que é internaciona tem dado grandes resultados, muita gente conseguiu emprego, e muitas empresas conseguiram funcionários, creio que podemos repetir isso no Brasil.

Ministério da Censura

29 de setembro de 2010

Aqui no Brasil, alguns já devem ter reparado, mas não temos jogos na Apple Store, nem na PSN e muitas outras lojas online. Além disso o Brasil é banido de alguns concursos de criação de jogos. Qual o motivo disso?

O motivo, é o Ministério da Censura. Na época da ditadura militar, ele era legalizado, e quando a ditadura acabou, foi escrito na constituição que censura era proibido e que agora existe liberdade de expressão. Exceto, que o Ministério da Censura continua existindo, legalmente, com força de lei.

Que ministério misterioso é esse? Na verdade, ele tem o nome de Ministério da Justiça (que como muitos sabem, é algo que não existe no Brasil), e ele tem o poder, mesmo que diga o contrário, de decidir quais jogos podem ser vendidos, e para quem.

Não creio que é coincidência, e muitos vão me criticar por escrever isso em época de eleições, mas a censura existe desde 14 de julho de 2006, quando foi publicado a portaria 1.100/2006, ou seja, isso foi no governo Lula, e quem “explica” sobre o significado da portaria (como se fosse algo bom) no portal do Ministério da Justiça é Romeu Tuma Junior, e é sabido que Lula é amigo de Romeu Tuma, mas voltando ao assunto…

O que a portaria 1.100/2006 diz EXATAMENTE?

Art. 3º O Ministério da Justiça realizará diretamente a classificação indicativa das seguintes diversões públicas:
I – cinema, vídeo, dvd e congêneres;
II – jogos eletrônicos e de interpretação (RPG).

Ou seja, começando aqui no artigo terceiro, está escrito que o ministério da justiça é o responsável por fazer “classificação indicativa” de vídeo, jogos eletrônicos, e jogos de RPG (não creio que isso seja coincidência com meu artigo anterior), ou seja, esses são já “especiais” de alguma forma para o governo.

Agora, o que é “classificação indicativa” ?

Art. 1º O processo de Classificação Indicativa, disciplinado nos termos desta Portaria, integra o sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente, composto por órgãos públicos e organizações da sociedade civil, destinado a promover, a defender e a controlar a efetivação do direito de acesso a diversões públicas adequadas à condição peculiar de desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Art. 2º A Classificação Indicativa possui natureza informativa e pedagógica, voltadas para a promoção dos interesses de crianças e adolescentes, devendo ser exercida de forma democrática, possibilitando que todos os destinatários da recomendação possam participar na condição de interessados do processo de Classificação Indicativa e, de modo objetivo, ensejando que a contradição de interesses e argumentos promovam a correção e o controle social dos atos praticados.

Bom, no meio desse texto todo, aparentemente inofensivo, está escrito que a classificação indicativa, é a classificação se o jogo ou vídeo causa problemas ou não ao desenvolvimento normal de crianças e adolescentes. Primeiro que isso ja é um problema, significa que jogos são considerados pelo governo como “nocivos”, ou seja, estão no mesmo nível que cigarro, bebida e pornografia. Além disso, como dito no artigo que coloquei a referencia a pouco, não existem PROVAS CIENTÍFICAS ainda, de que jogos e filmes podem atrapalhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Agora porque eu disse que o texto é aparentemente inofensivo? É porque o texto diz sobre o processo ser democrático, direitos, e que é apenas informativo… Exceto por uma palavra: Controlar ou seja, o governo escreveu um documento onde ele mesmo tem o direito de controlar, o que menores de 18 anos podem ver ou não. Mas isso ainda não é claro, vamos estudar mais a portaria:

Art. 13. Sob pena de constituir infração tipificada nos arts. 252 e 253 do Estatuto da Criança e Adolescente, compete aos produtores, distribuidores, exibidores ou responsáveis por diversões públicas, anunciar e afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do estabelecimento, informação destacada sobre a natureza da diversão e sobre a faixa etária para a qual não se recomende.
Parágrafo único. As informações de que trata o caput deste artigo deverão ser produzidas, fornecidas e veiculadas de acordo com os parâmetros estabelecidos no Manual de Classificação Indicativa.

Esse artigo, basicamente diz que se o produto não passar pelo crivo do ministério (pois essa é a única forma, de acordo com o artigo 3, de ter classificação), os produtores (ou seja, quem fez o jogo ou filme), e outras pessoas, podem infringir os artigos 252 e 253 do Estatudo da Criança e Adolescente. Copiando somente a pena, escrito nesses artigos:

Pena – multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

O salário de referência atual é de 510 reais, portanto a multa para o primeiro jogo publicado (nota, não vou explicar agora, mas mesmo de graça, o jogo ainda é considerado publicado… essa lei se aplica a QUALQUER jogo disponível para o público) é de até 10.200,00 reais, e esse valor duplica em reincidência.

Ou seja, não passar pelo ministério da justiça resulta em uma multa…
Então é só passar pelo ministério da justiça para poder vender o jogo, certo?

Errado…

Art. 10. Da decisão que indeferir ou deferir de forma diversa o requerimento de classificação de diversão pública, cabe pedido de reconsideração ao Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, que o decidirá no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 1º O pedido de que trata o caput será instruído mediante a reapresentação da respectiva diversão pública, com apresentação de novos fundamentos.
§ 2º Mantida a decisão, o Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação submeterá o pedido ao Secretário Nacional de Justiça, que apreciará o recurso no prazo de 30 (trinta).

A palavra “indeferir” significa recusar, ou seja, se existe um mecanismo para pedir reconsideração de pedidos recusados, significa que pedidos de classificação podem ser recusados… Ou seja, se o Ministério da Justiça quiser, ele pode recusar classificar seu jogo. O que significa não ser classificado? Significa, que você não tem como “exibir a classificação indicativa” como o artigo 13 pede, ou seja, seu jogo é BANIDO do país.

Ou seja, até agora já temos os fatos: O governo considera jogos, e RPG como algo nocivo, no mesmo nível que pornografia. O governo pode BANIR seu jogo do país. E você é OBRIGADO a passar pelo ministério da censura, que define se seu o conteúdo do seu jogo está de acordo com o que eles querem.

Mas fica pior… porque mesmo que seu jogo passe, ele pode pegar classificação de 18 anos, e apesar de a própria portaria dizer que a classificação é indicativa, temos:

Art. 19. Cabe aos pais ou responsáveis autorizar o acesso de suas crianças e/ou adolescentes a diversão ou espetáculo cuja classificação indicativa seja superior a faixa etária destes, porém inferior a 18 (dezoito) anos, desde que acompanhadas por eles ou terceiros expressamente autorizados.
§ 1º A autorização de que trata o caput deste artigo, expedida pelos pais ou responsáveis legais, deverá ser retida no estabelecimento de exibição, locação ou venda de diversão pública regulada por esta Portaria.
§ 2º Na autorização, que poderá ser manuscrita, de forma legível, constarão os seguintes elementos essenciais:
I – identificação completa:
a) dos pais ou responsáveis;
b) da criança ou adolescente autorizado; e
c) do terceiro maior e capaz autorizado a acompanhar e permanecer junto à criança ou adolescente;
II – menção expressa:
a) ao nome da diversão pública para a qual se destina a autorização; e
b) do local e data onde será acessada ou exibida;
III – a descrição do “tema” e das inadequações de conteúdo da diversão pública, identificados na Classificação Indicativa;
IV – data e assinatura dos pais ou responsáveis.

Ou seja, se a classificação é exatamente de 18 anos, não importa o que os pais digam, o filho deles não pode ter acesso ao conteúdo, isso significa que o governo manda mais que os país na hora de decidir se os filhos podem ou não ter acesso a alguma coisa.

Como alguns sabem, meu jogo apesar de não estar pronto, ja está disponível pelo público, e tem um trailer, então essa parte me interessa:

Art. 17. O trailer, chamada e/ou congênere referentes a diversões públicas poderá ter classificação independente, obedecendo ao disposto no artigo anterior desta Portaria, desde que veicule a classificação do produto principal.
§ 1° Ao trailer, chamada e/ou congênere classificado de forma independente aplica-se, no que couber, o disposto no art. 15 e parágrafo único, desta Portaria.
§ 2° Nos casos em que o produto principal ainda não tenha sido classificado, o trailer, chamada ou congênere deve veicular, na forma prescrita nesta Portaria, a seguinte frase: VERIFIQUE A CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA.

Agora se assistirem meu trailer vão reparar que em nenhum lugar eu fiz o que a lei manda, pois meu jogo não é classificado, então posso dizer que estou com o cu na mão, pois eu posso a qualquer momento ser multado…

Ai me perguntam: Porque você não seguiu a lei? Porque seu jogo não é classificado?

Porque eu não tenho dinheiro para pagar taxas, nem advogados, etc… Muito menos tempo para passar pela burocracia maluca (se você fizer download do “fluxograma” vai ver que ele tem uns 50 passos ou algo assim).

Tem gente que depois de ler isso tudo, vai dizer que eu sou louco, e que isso não é censura… Será mesmo?

O Brasil, a Coréia do Sul, Austrália e China, são os únicos países com lei do tipo, e e não por acaso os países com a maior quantidade de jogos banidos (alías, dos 4 países, a China é o que tem MENOS jogos banidos, apesar de na China censura ser algo totalmente oficial).

Em todos esses países é óbvio os efeitos dessa lei: Primeiro, que apenas jogos de empresas enormes são autorizados, eu tive a paciência de baixar a lista de jogos autorizados, e ir ler no Diário Oficial da União, quem fez os pedidos, a maior parte foi feito pela Eletronic Arts, ou pela Synergex, ambas empresas são ENORMES e especializadas no ramo de publicar jogos.

Segundo, isso tem o efeito de calar a voz, e suprimir a influência na cultura, dos desenvolvedores menores, ou de indivíduos (para você pagar a taxa, é necessário colocar um CNPJ no login da página… ou seja, sem empresa não é possível pagar a taxa).

Terceiro, isso destrói a criatividade em geral, o caso mais óbvio foi o da Coréia do Sul, onde sites de RPG Maker, Game Maker e etc fecharam para cumprir a lei. Isso só não ocorre no Brasil, porque ignoramos a lei (como eu estou fazendo atualmente).

Quarto, isso abre precedente para o governo ir aumentando a censura, os jogos por exemplo não eram censurados antes, o documento de 2006 na verdade é uma atualização de um documento anterior, onde era classificado apenas programas de TV.

Quinto, está claro, especialmente no exterior, que jogos tem sim poder político, Obama fez propaganda em outdoors no Burnout Paradise, alguns políticos fazem advergames…

Sexto, uma prova concreta dos problemas da lei, é notícias como esta: http://jogos.uol.com.br/ultnot/multi/2010/08/31/ult530u8134.jhtm Coisa que eu já sabia antes, pois eu não pude jogar meus próprios jogos quando trabalhei em uma empresa de jogos de iPhone.

O que podemos fazer?

Primeiro, podemos votar em quem acreditamos que vai resolver o problema, na europa o partido que está ganhando popularidade com isso é o PV.
Segundo, temos que pedir para o pessoas de outras mídias, nos ajudarem, como os filmes que estão na mesma lei, ou jornais (em um caso também óbvio de censura, quando Sarney saiu mostrando sua corrupção, um Juiz baniu o jornal Estado de São Paulo, de falar do filho de Sarney…)
Terceiro, temos que mostrar para a maior quantidade de pessoas, que isso as afeta, mesmo que elas não joguem ou assistam filmes, apesar da aparência que isso é apenas problema de quem quer comprar jogos na Apple Store ou na PSN, coisas disponível óbviamente apenas para os ricos, esse comportamento do governo também corrói a cultura e a voz do povo em geral.
Quarto, não sei… :/ Mas achei que escrever esse documento seria um ótimo passo.

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